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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Fazendo meu sketchbook (parte 3)

Esse é o terceiro e último post sobre como fiz meu sketchbook personalizado. Agora que já vimos os materiais, vamos ver o passo a passo.


Primeiro – corte a capa



Pensando em um melhor aproveitamento para o miolo, cheguei ao formato de capa de 11 x 15 cm – dessa maneira as folhas do miolo serão do tamanho de ¼ de uma folha A4, o que nos leva a um desperdício zero. Cada capa passa meio centímetro da borda do miolo para protegê-lo. Para cortar, um estilete é o suficiente.




Segundo – fure a capa



O furador normalmente tem uma seta que indica o meio entre os furos. Faça um risco no meio do lado menor da sua capa e iguale com a seta no meio do furador na hora de furar. Para acertar a distância do furo até a borda da capa, você pode riscar com um lápis. Se os furos ficarem muito perto da borda, a capa fica fraca e pode romper; se ficarem muito distantes, o miolo pode passar fora na outra margem.

Depois de furados os lados onde as argolas irão entrar, pegue uma das capas (que será a traseira) e fure também a borda oposta à das argolas. Esses furos são para o elástico e podem ficar um pouco mais longe da borda do que os furos das argolas. No meu caso furei bem perto da borda, o que não é legal pois o elástico pode escapar na hora de fechar.



Na hora de furar, não precisa se limitar à distância entre os furos do furador; você pode fazer os furos individualmente e de maneira que fiquem mais próximos, conseguindo tamanhos menores de caderno. Mas esse tamanho de 11 x 15 junto com o tamanho padrão do furador já cabe em muitos bolsos de bermuda.


Terceiro – aplique os ilhoses



Coloque o ilhós no furo de modo que a parte que tem uma argola fique pra fora do caderno. A boca menor do ilhós, a que fica pra dentro, precisa passar um pouco da borda da capa.



Insira nessa parte do ilhós a ponta da chave Philips (quanto maior a ponta em relação ao buraco do ilhós, melhor) e bata com o martelo para expandir a borda do ilhós e prendê-lo à capa. Dependendo do tamanho da ponta da chave, pode ser preciso mais de uma batida.




Quarto – aplique o elástico



Repita esse procedimento para prender o elástico. Lembra da outra borda da capa que também foi furada? Nesses furos iremos inserir as pontas do elástico e aplicar os ilhoses com essas pontas dentro do buraco, de maneira que elas fiquem presas pelos ilhoses.



Para saber que tamanho o elástico tem que ter (ele não pode ter o comprimento dos furos, tem que sobrar um pouco) prenda primeiro uma das pontas e, antes de prender a segunda, faça um teste, segurando-a com o dedo e tentando fechar o caderno. No meu caderno o elástico ficou com 12 cm (sem estar esticado). Esse tamanho vai depender da quantidade de folhas do miolo.


A quantidade de folhas do miolo vai depender do tamanho da argola que você comprou e da gramatura do papel que você escolher. No meu caso eu usei um papel Canson de 300 g/m², próprio para aquarela, e uma argola de tamanho pequeno. No miolo do meu caderno couberam 16 folhas, ou seja, dois A3 cortados em 8 pedaços.

E está pronto seu sketchbook personalizado e reciclável. Você pode incrementá-lo depois, colocando um elástico porta-lápis e um marca-página, é só seguir os mesmos passos usando furador e ilhoses.



E se quiser fazer uma textura com filtro de café na capa como essa que eu fiz é só dar uma olhada nesse link:
Na minha capa passei papel contato por cima dos filtros de café porque não consegui filtros suficientes e a camada de filtros ficou fina, dai o papel contato da uma resistência maior.

Uma dica: se não quiser tocar com a mão o verso das folhas quando segurar o caderno aberto (para não engordurar a página ou estragar um desenho já feito), basta segurar pela contracapa e deixar o restante pendurado.



Ou você pode intercalar folhas de papel vegetal entre uma folha de desenho e outra, assim você evita também que um desenho estrague o outro.

Espero que tenham gostado do post. Que dos seus cadernos de esboço saiam muitos desenhos ao ar livre e muitas ideias.

abs


terça-feira, 22 de abril de 2014

Fazendo meu sketchbook (parte 2)



Essa é a segunda postagem sobre como fiz meu sketchbook personalizado.
Vamos aos materiais:




  • Capa de caderno velho (aqueles do seu colegial que sua mãe insiste em guardar – cuidado com a espessura, não pode ser uma capa muito grossa)


  • Furador de papel comum


Tem que ser um no qual caiba a espessura da capa de caderno velho – na dúvida, leve um pedaço da capa na loja e peça para testar a espessura

  • Argolas articuladas, também conhecidas como argolas scrapbook



Esse é o material principal, são uma raridade em alguns lugares. Em João Pessoa, tem esse lugar que vende:
Localização no Google Maps (fica nesse shopping em frente ao IBGE):

A argola articulada é o principal material porque ela trará a possibilidade de você mesmo trocar as folhas do caderno. Elas se abrem como argolas de fichário e você vai poder colocar as folhas de acordo com sua necessidade, gramatura alta ou baixa, podendo até misturar gramaturas diferentes.



Outra vantagem das argolas articuladas é que elas tornam o caderno reciclável, assim acabou-se o problema de procurar outro caderno igual para comprar, basta substituir as folhas usadas, e papel é barato. As folhas antigas você pode até arquivar num fichário de verdade, pois os furos são padronizados. E para aqueles que gostam de colecionar os sketchbooks com capa e tudo, basta fazer uma nova capa a cada reciclagem.

Outra vantagem é a comodidade. Com cadernos costurados ou colados, a capa não pode abrir mais de 180 graus e fica por ali atrapalhando a pegada no caderno. Com as argolas, você pode girar o restante do caderno que não vai ser usado a 360 graus, ficando muito simples de segurar.


Como eu disse na introdução, não dá pra encontrar uma solução que atenda a todos, e essa ideia traz uma desvantagem. Não dá pra desenhar página dupla. As argolas criam um vão entre as páginas e não dá pra continuar o desenho de uma pra outra. No meu caso não fez falta porque eu raramente faço desenhos dessa forma na rua. Mas se você gosta dessa abordagem, esse caderno não serve.



Compre a argola de tamanho pequeno, assim ela não irá atrapalhar na hora de colocar o caderno no bolso.

  • Ilhós (que caiba no buraco feito pelo furador de papel)



Os ilhoses servem para dar resistência aos buracos feitos na capa e podem ser encontrados em casas de aviamento, que são aquelas casas que vendem material de costura. No endereço acima, onde você compra as argolas, também tem ilhoses pra vender. Para aplicar os ilhoses existem ferramentas específicas que são vendidas nessas mesmas casas de costura, são os alicates ou uns ferrinhos de bater. Mas como não vamos aplicar ilhoses em larga escala não precisa comprar as ferramentas, basta pegar uma chave Philips e um martelo.

  • Elástico (para fechar o caderno).



Esses são os materiais básicos. O caderno de esboços que fiz tem outros materiais, mas que são só cosméticos; seu uso vai de acordo com o gosto do freguês. No próximo post mostro o passo a passo.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Fazendo meu sketchbook (parte 1)



Desde que uns amigos me apresentaram a ideia dos sketchbooks, já tive a oportunidade de colecionar alguns. Sketchbooks são nada mais que pequenos cadernos de esboço que os artistas levam consigo no bolso ou na mochila para desenhar e anotar ideias. Os desenhos podem ser baseados na observação de paisagens e pessoas, podem ser desenhos de treinamento (anatomia, luz e sombra etc.) ou ideias para personagens. Os desenhos feitos num sketchbook tendem a ser diferentes daqueles que o artista faz no seu trabalho diário, pois o objetivo geral é experimentar novas técnicas e conceitos. Uns gostam de fazer desenhos mais acabados, outros preferem apenas esboçar, mas no final das contas o mais importante é ter uma ferramenta para treinar desenho a qualquer hora e em qualquer lugar.


Com os sketchbooks que já possuí, além de colecionar desenhos e ideias, colecionei também insatisfações. É difícil encontrar para vender um caderno de esboços que se adapte às suas necessidades, seja de tamanho, gramatura das páginas, versatilidade da capa, conforto na pegada etc. Você acaba tendo que abrir mão de uma dessas características. Existem muitos artistas diferentes e que usam seu sketchbook de maneiras diferentes: uns usam para aquarela, outros para acrílica, outros simplesmente para esboços lineares com nankim; assim fica mesmo difícil ter um tipo de caderno que atenda a todos. Foi pensando nisso que resolvi fazer meu próprio caderno de esboços. Querendo suprir minhas próprias necessidades, acho que cheguei a um resultado que pode ser útil para outros artistas e decidi compartilhar o processo. No próximo post vou mostrar passo a passo como fiz esse caderno abaixo.


segunda-feira, 3 de março de 2014

O que está acontecendo aqui?

Queria compartilhar uma filosofia que tem sido útil para mim no ofício do desenho. Ano passado fiz um curso online de fundamentos do desenho e nele aprendi muitas coisas, mas o que mais ficou na minha cabeça foi a frase do professor: “O que está acontecendo aqui?”. Hoje, depois de digerir o aprendizado por mais de um ano, consigo entender porque essa frase foi tão marcante.

O professor dizia para sempre pensarmos e analisarmos o que estamos desenhando. Em vez de desenhar a primeira forma que vem à mente, deveríamos nos debruçar sobre cada parte do desenho e nos fazer a pergunta: “O que acontece aqui?”. Quais são as formas geométricas e qual delas está na frente, qual está atrás? Que tipo de material é esse, é mole ou rígido? Para que lado essa face do objeto está virada? Como é esse volume? Que textura tem essa superfície?

Todo desenhista é um observador nato e essas são perguntas que qualquer desenhista faz naturalmente e inconscientemente. A graça está exatamente nisso: quanto mais natural e inconsciente for a investigação, melhor. Mas existe uma armadilha: com o passar do tempo, a gente pode se perder num mar de ícones e formas conhecidas, relaxando no confortável sofá chamado repertório de imagens, e essa investigação das formas, materiais, texturas vai ficando cada vez mais esquecida. Deixamos de nos desafiar e de investigar novas formas para apenas desenhar o que já desenhamos antes, ou usar soluções gráficas que já vimos em algum lugar. Em consequência, o ritmo do nosso aprendizado diminui.

Para não perder de vista esse espírito de investigador, é importante, de tempos em tempos, trazer a pergunta novamente à superfície: “O que está acontecendo aqui?”. Fazer um desenho mais realista (mesmo que seu estilo não seja assim), tentar desenhar a partir de uma foto e se esforçar para ser o mais fiel possível às formas que está vendo pode lhe render bons frutos. Pensar conscientemente sobre cada aspecto do desenho que estamos fazendo nos ajuda a aprimorar nossa habilidade e nos força a pensar em novas soluções. Abaixo segue a minha versão tosca da ideia, só para exemplificar e mostrar que também da pra se divertir no processo. Segue também o link do curso que fiz, recomendo, é muito bom!


Drawing Fundamentals with Thomas Fluharty: http://www.schoolism.com/school.php?id=18

Abraço a todos e bons desenhos






segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Girafa

Estou fazendo o curso Drawing Fundamentals com Thomas Fluharty oferecido pela Schoolism. É um ótimo curso, recomendo. É todo online: as aulas são em vídeo e você envia os exercícios pela internet, depois o professor faz um vídeo analisando seu desenho. Também existe uma modalidade sem as video-analises do professor, que é mais em conta (é essa que estou fazendo, hehe). Segue abaixo um dos exercícios que fiz:


Existem outras escolas nesse estilo como a CGMA. Esta tem uma variedade maior de cursos e modalidades mais baratas, como os workshops.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Desenho antigo2


Um desenho antigo do scketchbook. Desenho de observação, iluminação inventada, hehe.